quarta-feira, 26 de março de 2014

TODO APOIO À GREVE DOS SERVIDORES MUNICIPAIS DE TOLEDO!


Foto de Jornal Do Oeste
Os servidores municipais de Toledo iniciaram greve na segunda-feira (24/03) e aprovaram em assembleia a sua manutenção por tempo indeterminado. A categoria reivindica, entre outros itens, o aumento real de 12% nos salários, aumento do valor e incorporação do vale-alimentação no salário, reforma administrativa para reduzir os cargos comissionados, revisão dos decretos e reenquadramento de funcionários.
Em vez de atender a pauta dos servidores, o prefeito Beto Lunitti (PMDB) fala de inúmeros avanços e usa a lei de responsabilidade fiscal para negar o reajuste acima da inflação. Também afirma que vai descontar os dias parados e faz ameaças: “terá um desdobre jurídico para aqueles que não estão trabalhando” (Jornal do Oeste – 25/03/2014). O Secretário de Administração e ex-dirigente sindical Amauri Linke(PT), também afirmou que serão descontados os dias parados, disse que vai discutir a legalidade do movimento e quanto ao sindicato afirmou: “posso dizer que estão sendo bastante intransigentes” (Jornal O Presente – 25/03/14). Em nossa opinião isso é um ataque ao direito de greve garantido na Constituição Federal. É uma tentativa de criminalizar a luta dos servidores.
Situações como esta se repetem em nosso país sempre que os/as trabalhadores/as se colocam nas ruas para reivindicarem seus direitos. Um outro exemplo disso foi a greve dos garis no Rio de Janeiro, que enfrentou os ataques do governo, da rede globo e não teve apoio do sindicato. Apesar disso, a greve foi vitoriosa, conquistando 37% de aumento. Os garis do RJ deram um exemplo de luta para os demais trabalhadores, assim como os servidores municipais de Toledo estão dando um exemplo de luta.
De quem é a responsabilidade pelos problemas nos serviços públicos?
A população convive com a precariedade de serviços públicos básicos como saúde, educação, transporte. Paralelo a isso, trabalhadores desses setores enfrentam condições de trabalho e salários precários, falta de pessoal e de estrutura necessários para o funcionamento adequado. A culpa é dos governos municipal, estadual e federal, que ignoram a real necessidade da população e dos servidores.
No Paraná, Beto Richa (PSDB) dá o calote nos servidores estaduais, não cumpre a lei do piso, corta o orçamento das universidades e ainda gasta milhões em propaganda e em obras da COPA. O governo federal(PT) já gastou mais de R$ 28 BILHÕES com obras da COPA, enquanto investiu apenas 25 milhões/ano em média no combate à violência contra a mulher (26 centavos por mulher). Violência que tira a vida de 15 mulheres por dia! Dilma faz privatizações e gasta mais de 42% do orçamento com a dívida pública para os banqueiros, enquanto investe apenas 3,91% na saúde e 3,44% na educação.
Diante desse quadro é preciso unificar ao máximo as lutas de várias categorias. É preciso também questionar a Lei de responsabilidade fiscal, que sempre é usada como pretexto para não dar aumento salarial aos servidores em todos os níveis.
- Atendimento já a todas as reivindicações dos servidores municipais de Toledo!
- Pelo não desconto dos dias de greve e por nenhuma perseguição!
- Não ao assédio moral contra os grevistas! Pelo cumprimento do direito de greve!
- Por 10% do PIB para a educação pública já!
- 10% do PIB para a saúde pública! 2% do PIB em transporte público!
- Chega de dinheiro para os bancos e para a COPA! 

segunda-feira, 3 de março de 2014

POLÊMICA: Empoderamento para quem? Uma polêmica com a Marcha Mundial das Mulheres.

 
Ana Soranso – PSTU Londrina
Érika Andreassi – PSTU Maringá
Karen Capelesso – PSTU Curitiba
Márcia Farherr – PSTU Cascavel
Mariane Siqueira – PSTU Curitiba


Na década de 1970, a Tese do Empoderamento ganhou força nos ambientes acadêmicos e no movimento de mulheres no mundo todo. Segundo essa teoria, a saída para as mulheres combaterem o machismo é assumir cada vez mais postos de poder e cargos de direção, como um meio de “empoderar” as mulheres. É baseada nessa idéia que muitas vêem como progressivo o fato de que qualquer mulher assuma postos de poder independente de sua classe social.

O determinante não seria mais a relação de produção capitalista e a luta de classes. Quanto mais mulheres ocupando postos de direção dentro do sistema capitalista (presidentes, senadoras, juízas, senadoras, etc.) mais “poder” teriam todas as mulheres e, conseqüentemente, sofrendo menos com o machismo e tendo melhores condições de vida.

De última a Tese do Empoderamento secundariza a luta de classes e coloca como fundamental a luta entre os gêneros, homem e mulher, para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. O “Poder Feminino”, nessa concepção, seria instrumento para mudar a realidade, uma vez que as mulheres (somente elas, independente de sua classe) seriam o motor da transformação. Para as defensoras desta tese, uma das medidas que poderia evitar uma crise econômica é se houvesse mais mulheres governando o mundo.

A Marcha Mundial das Mulheres – MMM, dirigida por companheiras do PT e PCdoB, fundamenta sua política e ação nesta Tese, que na prática é a defesa da aliança entre todas as mulheres, sejam burguesas ou trabalhadoras. Por isso, hoje a MMM se localiza na base do Governo Dilma (PT), primeira mulher a ser presidente do Brasil, ao lado de setores reformistas e burgueses que também apoiam o governo.

O veredicto da história

Infelizmente esta tese não passa pela prova da história. Vejamos a alguns exemplos:

  • A Juíza Márcia Loureiro, mulher “empoderada” no judiciário, foi quem determinou a invasão do Pinheirinho criando as condições para que um idoso fosse assassinado e duas mulheres estupradas na bárbara e violenta desocupação de cinco mil famílias.
  • As “superempoderadas” Ângela Merkel (Chanceler Alemã) e Christine Lagarde (Presidente do FMI) são as principais agentes dos bancos e multinacionais da Europa que implementam os chamados Planos de Austeridade que desemprega milhares de homens e mulheres trabalhadoras, reduzindo salários, direitos e reprimindo as manifestações populares.
  • A “empoderada” Gleisi Hoffmann, é até então, a principal responsável no Governo Dilma pelos planos de privatização da infra-estrutura do país, é defensora da EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares que significa a privatização dos Hospitais Universitários) e também a fiel escudeira dos latifundiários, grileiros de terras e multinacionais ligadas ao agronegócio contra as mulheres e homens indígenas.
  • No governo de Dilma Houssef, enquanto é investido para cada assento da Copa do Mundo R$ 11.172,00 de verbas públicas, para políticas públicas para o enfrentamento a violência contra a mulher é apenas R$ 0,26, em um momento em que no Brasil uma mulher morre a cada 1:30 horas vítima da violência machista. Dados como esses demonstram de que lado está o “empoderamento” de Dilma: ao lado dos empresários dos megaeventos.

Independência de Classe ou Policlassismo?

Nós, mulheres do PSTU, achamos muito importante que as mulheres rompam com sua situação de submissão e opressão e participem de fato dos espaços de decisão como a política, assumindo postos de direção. Porém, para mudar a vida das mulheres trabalhadoras não basta ter uma mulher no poder, se não tiver compromisso com a classe trabalhadora, pois essa a luta fundamental – a luta entre as classes e não entre os gêneros.

O fato de ser mulher em si, como por exemplo a eleição de Dilma, tem um significado positivo, pois demonstrou que uma mulher pode assumir a presidência da república, cargo político mais importante do Brasil, em um país extremamente machista e violento. No entanto, quando uma mulher assume um posto de governo e governa com ou para a burguesia dominante, não reforça o poder das mulheres (gênero), mas da burguesia (classe).

O gênero é apenas um dos aspectos a ser analisado, pois o fato de ser mulher pode alimentar ainda mais ilusões nas mulheres trabalhadoras que sua situação mudará. Uma máscara feminina pode inclusive ajudar a implementação de um política que ataca as mulheres e homens da classe trabalhadora. O mais importante elemento a ser analisado não é o gênero em si, mas o compromisso do governo em relação a políticas públicas para quem de fato precisa: a classe trabalhadora.

Tem dinheiro para a copa, mas não tem pra...

Já foram gastos mais de R$ 20 bilhões dos cofres públicos na construção dos estádios, nas reformas dos aeroportos e nas obras de infra-estrutura. É investimento público para financiar um evento privado, que vai fazer lucrar empresas multinacionais e monopólios de comunicação.

Enquanto isso, os investimentos para conter a violência machista em nosso país são extremamente limitados. Vejamos alguns dados:
“Entre 2007 e 2011 apenas R$132 milhões foram investidos. Este número, que já era limitado, sofreu de 2009 a 2011 uma queda de praticamente 50% e um corte de R$23,4 milhões em 2012. Apesar de ter uma mulher “empoderada” na Presidência da República apenas 7,13% dos municípios tem delegacias especializadas, muitas não atendem no fim de semana e abrem somente durante o dia mesmo sabendo que os índices revelam que 36% dos crimes ocorrem a noite e nos fins de semana (19% nos domingos); menos de 1% das cidades tem Casas Abrigo”.(Jornal Opinião Socialista, n. 469, p.8)

Na educação nem se fala. Dilma fez um compromisso eleitoral de construir 6.427 creches até 2014. Isso é completamente insuficiente perante a necessidade real. Para que todas as crianças de 0 a 3 anos fossem atendidas por creches seria necessário a construção de cerca de 70 mil novas unidades com capacidade para 120 alunos cada a um custo de R$ 740 mil, totalizando R$51,8 bi.

No entanto, nem a promessa eleitoral vai ser cumprida. Dos R$2 bilhões que foram previstos para repassar aos municípios e concretizar a promessa apenas R$383 milhões foram repassados. No início de 2011, 39 creches foram entregues simbolicamente, e nenhuma estava pronta para começar a matricular crianças. Assim, o governo Dilma precisaria construir cinco creches por dia até este ano (2014), para cumprir sua promessa.

Essa situação é resultado do corte no orçamento realizado em 2011, em que R$50 bilhões deixaram de ir para a Educação e outras áreas sociais. Em 2012, Dilma e sua equipe econômica anunciaram um novo corte, agora de R$55 bilhões, afetando novamente os recursos que poderiam ir para a Educação Infantil.

Aliança com fundamentalismo religioso e violência

Dilma para ser eleita, por exemplo, fez um amplo acordo com a burguesia e os fundamentalistas religiosos, comprometendo-se a não tomar medidas que levassem à legalização do aborto em nosso país. O Estatuto do Nascituro (“Bolsa Estupro” como ficou conhecido pelos Movimentos Feministas) é uma capitulação total a esta bancada e significa um retrocesso imenso nos direitos das mulheres. Marcos Feliciano (PSC), notório machista, racista e homofóbico é (e continua sendo) base de apoio de seu governo.

Não é a toa que a violência contra as mulheres em seu governo aumentou mesmo com a criação da Lei Maria da Penha. O Brasil é o 7º país do mundo em índices de feminicídio. Amargamos dados como a cada 11 segundos uma mulher é estuprada e a cada 2 minutos uma mulher é espancada. Se levarmos em consideração o recorte racial, em uma combinação perversa do machismo e do racismo, esses dados ficam ainda piores.

Não basta ser mulher... tem que ser socialista!

De que vale estar no governo se ele não serve para avançar nos interesses das trabalhadoras? Que tipo de poder é esse que as mulheres precisam abrir mão de seus direitos para poder exercê-lo?

Nem todas as mulheres são iguais. Há aquelas que exploram e as que vivem da exploração. Dilma, Gleisi, Márcia, Lagarde, Merkel não sofrem as mesmas dores das trabalhadoras pobres, que necessitam pegar o transporte lotado, dar duro no trabalho e ainda torcer para que o salário alcance o fim do mês. Elas têm outra vida. Elas não exercem o poder das mulheres em abstrato, mas o poder do Capital, que continua explorando e oprimindo as mulheres e homens trabalhadores.

O poder não é uma disputa de gênero, mas de classe. A auto-organização das mulheres é muito importante, mas para que atue a favor da liberdade das mulheres precisa ter um perfil de classe, ou seja, se configurar na auto-organização das mulheres trabalhadoras junto com o conjunto da classe trabalhadora para derrotar mulheres e os homens da burguesia.

Movimento Mulheres Em Luta - MML: defesa do classismo e socialismo revolucionário.

É justamente por isso que as mulheres do PSTU não constroem a Marcha Mundial das Mulheres, embora atuemos em unidade muitas vezes. Nós, mulheres do PSTU construímos o Movimento de Mulheres em Luta, o MML, que já nasce ligado a CSP-Conlutas, uma organização sindical e popular da classe trabalhadora para a libertação total tanto de homens e mulheres toda opressão seja ela de origem de gênero, raça, identidade/orientação sexual e da exploração capitalista.

Neste sentido, chamamos as companheiras que se organizam na base do MMM a refletirem sobre a política defendida pela direção da Marcha Mundial (PT e PCdoB) base de apoio do Governo Federal, mas, principalmente, sobre a base teórica que se fundamenta este movimento feminista: policlassista ou de colaboração de classes. Precisamos fortalecer um pólo classista, socialista e revolucionário. Infelizmente o MMM aponta na direção contrária.

Próximo artigo: 

è   Reforma Política para quem? Uma polêmica com a Marcha Mundial das Mulheres.




domingo, 16 de fevereiro de 2014

OS GOVERNOS , A IMPRENSA E OS ÓRGÃOS DE REPRESSÃO SE APOIAM NA AÇÃO QUE LEVOU CINEGRAFISTA À MORTE PARA TENTAR CRIMINALIZAR PSOL, PSTU E TODOS OS QUE LUTAM


Reafirmar a Frente de Esquerda no Paraná para fortalecer o programa socialista e defender as organizações de esquerda

Direção Estadual do PSTU - Paraná

No mês passado realizamos uma reunião com a direção estadual do PSOL, na qual apresentamos nossa posição a favor da construção de uma Frente de Esquerda entre PSOL, PSTU e PCB.
Voltaremos a nos reunir com a direção estadual do PSOL e também procuraremos o PCB para conversar sobre esta proposta. Nesta nota queremos reafirmar a necessidade desta unidade frente à campanha midiática que tenta criminalizar os partidos e organizações de esquerda.

Na mencionada reunião, expusemos os critérios políticos e pontos de vista que achamos necessários para dar norte a uma discussão fraterna e comprometida entre os nossos partidos. Esses critérios são: construir um programa socialista que parta das demandas levadas às ruas nos protestos de junho no ano passado; completa independência de classe e financeira da burguesia; respeito ao peso político e social dos partidos na composição da chapa majoritária e proporcional.

Dissemos na reunião e reafirmamos publicamente que estamos dispostos a abrir mão da candidatura ao governo do estado, desde que tenhamos a candidatura ao senado. Reiteramos que temos um partido estadual, estruturado nas principais cidades do Paraná, envolvido nas lutas sociais e políticas, com inserção em alguns setores da classe trabalhadora e que tem cumprido papel importante nas lutas políticas. Durante as jornadas de junho e greves de julho e agosto, nosso partido atuou com firmeza programática e determinação política, buscado contribuir com o fortalecimento das reivindicais da classe trabalhadora e denunciando os governos de plantão.

Temos esta posição por que achamos que o nosso peso precisa ser respeitado na composição de uma Frente de Esquerda entre nossos partidos, não opinamos ser correto e não estamos dispostos a simplesmente aderir a uma candidatura do PSOL.

As massas e os lutadores precisam de uma alternativa

A situação política mudou após as jornadas de junho, o início deste ano demonstra que, por um lado existe maior disposição de luta dos trabalhadores e, por outro, maior disposição de repressão e criminalização dos movimentos sociais por parte dos governos que administram o Estado Burguês.

A maioria da população apoiou os jovens que foram as ruas com a vontade de mudar o país. Os governos “regurgitaram” demagogia, muito prometeram e quase nada cumpriram. Agora dão a demonstração [através da repressão] do que está por vir daqui até a Copa do Mundo, nada mais que a repressão do Estado.

Na nova situação política as massas estarão mais abertas e interessadas a ouvir os que os projetos de direita e de esquerda têm a dizer, avaliamos que existirá uma disposição maior do que antes em ouvir o que os socialistas temos a dizer. Isso não significa de antemão que o espaço de esquerda será uma avenida aberta, por enquanto esta é uma hipótese provável, mas tudo irá depender de como as massas se comportarão nas próximas lutas, de como os governos de plantão reagirão e da opinião publica que irá se formar na consciência das massas, aqui entra com peso o papel da mídia burguesa, que já iniciou uma campanha para ganhar as massas contra as manifestações em ano de Copa.

Ao mesmo tempo, os lutadores que saíram as ruas em junho e todos aqueles e aquelas que seguem lutando para mudar o país, buscarão uma alternativa frente aos projetos burgueses de partidos como PT, PMDB,PSB, PSDB, PV, DEM, PP, entre outros. Nenhum desses partidos tem um programa capaz de atender e governar para os trabalhadores, todos eles governam para o grande capital.

Nem Beto Richa do PSDB, nem Gleisi Hoffmann do PT, nem Requião do PMDB representam os interesses dos trabalhadores no Paraná. Todos são projetos aliados aos interesses da classe capitalista. Esses projetos já demonstraram por inúmeras vezes que não governam para nossa classe.

Por isso, a importância de apresentarmos uma alternativa unitária nas eleições, socialista e classista, capaz de unificar as reivindicações e dar maior projeção as lutas da classe trabalhadora e da juventude.

Unidade da esquerda para combater a repressão e criminalização dos movimentos sociais
Desde o ano passado estamos travando publicamente a polêmica com os Black Blocs, não temos nenhum acordo com os seus métodos e programa reformista. Somos a favor de qualquer ação de massas, por isso nossos métodos passam por tentar convencer as massas de qual é o programa e a política dos revolucionários.

Não temos acordo com as ações vanguardistas, equivocadas e ultra esquerdistas dos Black Blocs, que buscam substituir o protagonismo e a experiência concreta das massas na luta contra o governo e o Estado. Esta tática e o tipo de organização também favorece a infiltração de agentes provocadores da polícia. Portanto, temos uma diferença quanto à política, o programa e os métodos, mas que fique claro, somos contra a repressão e criminalização dos Black Blocs e movimentos sociais. Ao mesmo tempo somos solidários a família do jornalista que morreu, mas reiteramos que não confiamos nos órgãos do Estado, na imprensa e justiça burguesas.

A imprensa, o governo Cabral e os órgãos de repressão tentam responsabilizar o Black Bloc e os partidos de esquerda, afirmam que os manifestantes presos seriam supostamente Black Blocs e supostamente "aliciados" pelas organizações "que levam bandeiras", como "PSOL, PSTU e FIP". Essas práticas são da repressão e da direita. Não confiamos e não compramos a versão amplamente divulgada na imprensa burguesa, está claro que existe uma manipulação e clara intenção de se apoiar neste lamentável episódio para criminalizar aqueles que estão saindo as ruas para protestar.Querem preparar as massas para a dura repressão que já está orquestrada caso as manifestações se intensifiquem daqui até a Copa.

Alertamos para o fato de que as leis e medidas adotas pelo governo federal e as forças armadas, como é o caso da lei "antiterrorismo", dão sinais de que a infiltração ou manipulação de movimentos dirigida pelos órgão de repressão já estão ocorrendo e podem se intensificar.

Os provocadores estão infiltrados nas manifestações e movimentos. Responsabilizamos os governos e o Estado Burguês pela repressão e violência nas manifestações. Jamais saberemos se o artefato que causou a morte do cinegrafista foi lançado por um agente infiltrado, ou por um ativista recrutado pelo aparato de repressão ou por um infeliz que acha que disparar fogos de artifício contra a polícia é um método eficiente para ganhar a confiança das massas e derrotar o aparato policial.

A repressão tem mutas técnicas nefastas, de inteligência, investigação, infiltração, provocação, tortura e desaparecimento de corpos [o que dizer do caso do pedreiro Amarildo] para inocentar os agentes da repressão. Mais uma vez, não compramos a versão da imprensa burguesa.
A questão é que após a morte deste cinegrafista os governos e órgãos de repressão do Estado lançaram uma verdadeira campanha contras PSOL e PSTU. Dois partidos que apoiam e estão nas lutas desde o início. Nosso partido foi à única organização que travou publicamente a polêmica contra as ações dos Black Blocs, travamos esta polêmica inclusive contra algumas correntes do PSOL, que em nossa opinião, ou defenderam as ações ou capitularam frente a elas. Não faz nenhum sentido as acusações feitas contra nosso partido.

A ofensiva bonapartista que os governos aplicam através do Estado contra os partidos de esquerda,  contra todos os lutadores cobra a unidade dos socialistas, e neste ano ela deve se dar nas lutas e nas eleições.

Como já dissemos em outro artigo que publicamos: “(...) nossa violência de classe terá endereço e hora, quando as massas tiverem dispostas a enfrentar o Estado burguês, os agentes reformistas e os governos. Se as massas precisarem e quiserem pegar em armas para enfrentar o Estado Burguês estaremos na linha de frente deste combate. Lutemos contra o capitalismo, seus governos, seus agentes e seu Estado opressor. Nossas armas serão o convencimento político, a ação de massas, a análise da realidade, a unidade na ação política, a fraternidade, a franqueza, a honestidade, a solidariedade de classe e a moral da classe trabalhadora em luta. (...)”

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O primeiro beijo gay da Globo

Por Wilson Onório, Sec. LGBT do PSTU

Viver na Frei Caneca tem suas deliciosas bizarrices. Pela primeira vez, ouvi gritos entusiasmados de "torcida" ecoando dos apartamentos ao meu redor não relacionados a um jogo. 

Evidentemente, foi a reação a uma das cenas "mais esperadas" da história da comunicação de massas no Brasil: o dia em que a Rede Globo se rendeu à realidade e decidiu colocar em cena um (singelo e pudico, vale lembrar) beijo gay em seu horário nobre.

Que a Globo tenha se movido pela mesma lógica de sempre: o olho no mercado e a luta para se manter como principal e mais lucrativa emissora do país, é inegável. Como também, não dá pra esquecer que esta é (e sempre será) uma emissora que, como todas, "é habitada pelo poder do Capital", sintonizada com tudo contra o que lutamos cotidianamente (inclusive na propagação da homofobia, do racismo e do machismo), desde seu surgimento, nos anos 1960, sob o patrocínio da ditadura. E mais: o beijo com décadas de atraso em relação ao mundo em que vivemos.

Contudo, não podemos menosprezar a realidade do lado de cá da tela. Aliás, é a que mais interessa nesta história toda. O beijo, é, sim, uma vitória de todos e todas que lutam contra a opressão. São estes os verdadeiros protagonistas desta cena. Foram os LGBT's de verdade que fizeram com que a emissora do nada saudoso Roberto Marinho tenha se rendido, "reconhecendo" o espaço que os LGBT estão conquistando, com muita luta, nas ruas.

O beijo de Félix (cuja quase beatificação no processo da novela é um capítulo à parte) e Niko não foi um "presente" da Globo para a comunidade LGBT, nem pode ser visto como um "atestado" anti-homofóbico. Pelo contrário. É um beijo que reflete anos de luta. E merece, sim, ser saudado aos gritos aqui na vizinhança e, com certeza, em todos os cantos do país não como uma demonstração de apreço à Globo. Não. Se é verdade que os atores (que nunca esconderam sua simpatia em viver a cena e a fizeram muito bem) podem ser parabenizados, nossas homenagens, hoje, devem se voltar aos milhões de anônimos que seja na luta direta, seja simplesmente resistindo ao preconceito e à discriminação transformaram o "beijo gay" em uma "realidade" que nem mesmo a Globo poderia continuar omitindo.

Já disse pra muita gente que, como sou "antigo", ainda me emociono quando vejo um casal LGBT andando de mãos dadas ou demonstrando carinho nas ruas (da mesma forma quando negros e negras expressarem alegremente sua negritude, do cabelos à atitude, ou uma mulher tomando os rumos de sua vida). Muitos de nós, lutamos praticamente a vida inteira pra ver algo assim. Tão normal, tão simples, tão humano. Mas, tão difícil pra quem não se enquadra nos "padrões".

Por isso, ao ver Mateus Solano e Thiago Fragoso em cena, há pouco, o que me veio à mente foram os tantos e tantos que, na vida real, construíram o caminho até uma cena que, na verdade, deveria já deveria ter ido ao ar há muito tempo e ser tratada simplesmente como uma "coisa do mundo".

Lembrei-me daqueles e daquelas que, com coragem, enfrentaram e enfrentam o mundo para poder existir e amar. Lembrei-me dos que foram mortos, como Edson Neres, simplesmente por terem feito isto. Lembrei-me dos que foram expulsos de casa por terem sido "pegos" no ato ou sofreram punições inomináveis, de Oscar Wilde aos que vestiam o "triângulo rosa" nos campos nazistas. Lembrei-me dos que nunca puderam sequer se atrever a beijar alguém, sucumbindo à opressão, vivendo sufocados em seus armários. E, principalmente, lembre-me daqueles que dedicaram suas vidas para que as coisas mudassem. De Magnus Hirschfeld a Milk, do "Gay Liberation Front" ao SOMOS e de tantos e tantas outras que vieram antes e depois deles.

Esse foi um beijo que não nasceu dos "planos" da Globo. Não. Ele brotou dos espaços que conquistamos com ousados e irreverentes beijaços; ele estalou primeiro nas ruas tomadas por Paradas e protestos. E por isso mesmo ele tem "importância histórica". Ele simboliza, em um campo pra lá de complicado como é o da comunicação de massas, uma vitória daqueles que nunca tiveram medo ou vergonha; daqueles que nunca se deixaram abater pelo preconceito e a discriminação (as mesmas que Globo, durante décadas, contribuiu pra enculcar na cabeça das pessoas -- e, não se iludam, continuará fazendo).

E, claro, foi um beijo com um "gostinho" todo especial. Teve sabor de "Fora Feliciano" e todos os homofóbicos de plantão. E, por isso mesmo, pra encerrar, já que estamos no campo da "ficção", espero que o beijo tenha um efeito parecido com aqueles dos "contos de fadas": que ajude a "despertar" os adormecidos e silenciados pela homofobia. Que fortaleça aqueles que, em suas casas, se sentem sozinhos, "anormais", infelizes e, muitas vezes, desesperados.

A página do "primeiro beijo gay da Globo" está virada, mas sabemos que temos muito mais pelo que lutar. Até o dia em que, inclusive, não seja necessário festejar um simples beijo como final de campeonato. Mas, simplesmente, como expressão da vida. Um beijo.



Entra e sai na Administração Municipal de Cascavel. Uma piada sem graça com a população da cidade!

NOVAS ELEIÇÕES JÁ!

Nota do PSTU/Cascavel

A população de Cascavel aguarda ansiosa o desfecho de uma “novela” que parece não ter fim. Uma trama envolvendo, de um lado o PDT/PSDB/DEM que agarram-se em atalhos jurídicos (medidas cautelares) para se manterem no Governo Municipal. E de outro, o PT/PMDB/PCdoB e seus aliados que aguardam ansiosos a possível cassação do Prefeito Edgar Bueno e assumirem a direção da prefeitura.

Enquanto isso, a Justiça Burguesa vai “empurrando com a barriga” uma situação insustentável para o povo da cidade que sofre com Postos de Saúde superlotados e número reduzido de funcionários, carência no número de vagas nas creches (aprox. 3000 crianças continuam sem vagas), moradores dos bairros clamam pelo asfalto prometido na campanha e estudantes sequer tiveram resposta sobre sua luta pelo Passe Livre.

Para nós do PSTU, infelizmente, esta “novela”, independente de quem ganhe a batalha jurídico/política, não terá um final feliz. Explicaremos as razões abaixo.

O QUE FAZER?

Uma parte da população considera que seria melhor manter Edgar Bueno na Prefeitura, pois sua saída só atrasaria obras que já estão em andamento causando transtornos e atrasos. Não temos confiança que este governo irá garantir as obras e infra-estrutura que esta cidade precisa. Colocamos-nos ao lado da população que está desiludida com Edgar Bueno (PDT) e não sem razão. 

Logo que assumiu reduziu pela metade o tempo de atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e estouraram protestos exigindo infra-estrutura nos bairros (asfalto), passeatas estudantis e catracaços exigindo passe-livre e contra o aumento abusivo do IPTU.

Seu governo foi marcado por denúncias de corrupção relacionadas ao superfaturamento na compra de uniformes escolares e outras. Essas denúncias sequer foram investigadas, pois a maioria da câmara de vereadores que, na época, era composta por membros aliados do prefeito impediu. 

Os servidores amargam perdas salariais e um plano de carreira vergonhoso. A Lei do Piso  dos educadores municipais não está foi cumprida integralmente (ainda não implementou o 1/3 da Hora Atividade).

A “cidade ideal” propagandeada no horário eleitoral não passou de jogo de marketing e o tal “progresso” será bancado a partir de um endividamento record através de um milionário empréstimo do BID que será pago em dólar e certamente debilitará ainda mais o orçamento municipal com pagamento de juros.

LEMOS (PT) É A SAÍDA?

Lemos (PT) teve um histórico de luta sindical no passado, que respeitamos. Mas nos últimos anos em que esteve à frente da luta sindical, abandonou a independência política frente aos governos e defendeu um sindicalismo de conciliação e não de enfrentamento. 

Além disso, hoje Lemos não pode ser visto isoladamente, tanto de seu partido e coligação eleitoral, quanto de seu programa. Lemos, no processo eleitoral de 2012, defendeu publicamente as ditas parcerias público-privadas para o transporte público que nada mais são do que privatizações disfarçadas. Ele é aliado com o PMDB (de Sarney) que é base de apoio de Beto Richa (PSDB).

Não dá pra governar para os trabalhadores junto com estes “senhores”!

Nas eleições passadas, Lemos recebeu no segundo turno o apoio do PP dos Barreiros e de Sperafico e disse durante a campanha eleitoral de 2012 em um canal de TV de Cascavel que iria lutar para ter o apoio do PSD de Lange. Quando questionado sobre as farpas entre ele e Lange (PSD) no primeiro turno Lemos (PT) foi taxativo: "temos mais convergências que divergências (...) queremos o apoio de Lange e de todos que o apoiaram". Lembrando que, dentre os apoiadores de Lange (PSD) estão Alfredo Kaefer (PSDB) e o ex-DEM (PSD).

Lemos, para merecer nosso apoio, precisaria romper com o PMDB e os demais partidos burgueses e governar somente com os trabalhadores. A partir daí construir um programa que reflita as lutas de junho e os  interesses da juventude e de nossa classe. Infelizmente não é isso que observamos no horizonte.

O PT de hoje tem uma das mais caras campanhas eleitorais de sua história e, apesar de oferecer algumas concessões para os trabalhadores, governa para os ricos e poderosos que financiam sua campanha. Está envolvido em escândalos de corrupção, repressão a mobilizações da Copa e privatizações, da mesma forma que o PSDB e o DEM. Foi o governo do PT que jogou bilhões de dinheiro público no financiamento da Copa e das Olimpíadas e restringiu a meia-entrada estudantil.

Uma cidade para os Trabalhadores!

Apesar de entendermos que as eleições não são democráticas devido as altos investimentos financeiros de empresários que "patrocinam" alguns partidos, bem como a diferença do tempo na TV e rádio, defendemos novas eleições.

Além disso, defendemos que a esquerda socialista da cidade, da qual fazemos parte, construa uma candidatura que seja independente financeira e politicamente da burguesia, que apresente um programa voltado para o interesse dos trabalhadores e a juventude, expresse os anseios das mobilizações de Junho e aponte para a estratégia socialista.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Repúdio a agressão física praticada por um militante do PSOL contra um militante do Coletivo Quebrando Muros.

Nota do PSTU Curitiba em repúdio à agressão física praticada por um militante do PSOL contra um militante do Coletivo Quebrando Muros durante o Ato Contra a Copa, realizado no último dia 25/01, sábado.


“A IV Internacional arrasa os mágicos, os charlatães e os importunos professores demoral. Em uma sociedade fundamentada sobre a exploração, a moral suprema éa moral da revolução socialista. Bons são todos os métodos que elevam aconsciência de classe dos operários, sua confiança em suas próprias forças, suadisposição à abnegação na luta. Inadmissíveis são os métodos que inspiram nosoprimidos o medo e a submissão diante dos opressores; sufocam o espírito deprotesto e revolta e substituem a vontade das massas pela vontade dos chefes, apersuasão pela pressão, a análise da realidade pela demagogia e a falsificação.Eis porque a social-democracia, que prostituiu o marxismo, e o stalinismo - antítesedo bolchevismo - são os inimigos mortais da revolução proletária e de sua moral.”(Leon Trotsky, Programa de Transição, extraído livro Documentos de fundação da IV Internacional – Congresso de 1938, pág. 81, Ed. Sundermann, 2008. Grifos nossos)

No último sábado (25), aconteceu em Curitiba o primeiro ato contra a Copa chamado nacionalmente pelo site do Anonynous. O PSTU participou deste ato e levou suas palavras de ordem de “Na Copa vai ter protestos, por mais saúde, transporte e educação!” e “Aniversário de Yarmouk, liberdade ao povo palestino, liberdade ao povo sírio!”.


Neste mesmo ato, infelizmente ocorreu um fato lamentável frente ao qual nos vemos na obrigação de nos posicionar publicamente através desta nota. No início do ato o militante do PSOL, Renato Almeida, responsável pelo núcleo periférico deste partido, agrediu um militante do Coletivo Quebrando Muros. Renato desferiu um soco no rosto de um companheiro de luta. Este militante do PSOL tentava coordenar os encaminhamentos no início do ato [o curioso é que o ato foi chamado pelo Anonymous e ele colocava-se como se fosse direção do mesmo], e surpreendentemente, praticou a agressão por que um militante do PSTU pediu a palavra para propor aos manifestantes uma palavra de ordem, mas em posse do megafone ele se recusou a conceder a palavra, neste momento um militante do Coletivo Quebrando Muros colocou-se a defender a democracia entre os que lutam para que todos ativistas e organizações tivessem o direito de falar no protesto, foi quando Renato reagiu descontroladamente com um soco no rosto deste militante.

Mais adiante, ainda durante o ato, vimos Renato dirigir-se até o companheiro que havia agredido para pedir desculpas. Na hora entendemos esta atitude como um primeiro passo no sentido de resolver este episódio entre as organizações de esquerda, porém, ontem (28), fomos novamente surpreendidos com a declaração publicada no site do Coletivo Quebrando Muros, que diz: “Após o vergonhoso ocorrido e de cabeça mais fria, ele [Renato] procurou nosso militante [do Coletivo Quebrando Muros] para se desculpar, usando a infeliz justificativa de que imaginava que ele fosse um militante do PSTU...”. Somos solidários ao companheiro agredido, repudiamos a agressão e não entendemos por que motivo um militante nosso mereceria ser agredido.

Lamentamos esta declaração de Renato e nos vemos obrigados a expor publicamente o que para nós significa este episódio tão ruim para os lutadores, queremos contribuir em aproximar todos os que lutam pautados por uma moral revolucionária. Sobretudo por que as organizações de esquerda precisarão estar juntas nas lutas deste ano, por que queremos estar ombro a ombro com os revolucionários no momento da revolução brasileira, mas também por que estamos empenhados em construir uma Frente de Esquerda com o PSOL e PCB nas eleições de 2014.

Não igualamos a atitude individual de um militante do PSOL ao que significa este partido enquanto organização mais ampla no campo da esquerda, composta por militantes honestos que confiam e apostam neste projeto como instrumento de transformação da sociedade. Respeitamos o PSOL e seus militantes. Por este motivo achamos que o partido precisa adotar uma posição pública frente à agressão física praticada por um de seus militantes contra um companheiro de luta, e também por ter apresentado a justificativa de que fez isso achando que era um militante do PSTU. As medidas internas cabem estritamente ao partido. O que ocorreu é muito grave e não pode acontecer de novo. Como ir para as lutas e nos aliar com aqueles que querem nos atacar fisicamente? É preciso refletir e entender a fundo o que ocorreu, por que esta concepção e prática é parte da degeneração moral da sociedade capitalista a qual as organizações de esquerda (incluindo nós) não estamos imunes. A virtude está em como enfrentamos estas pressões e episódios concretos no sentido de corrigir os erros.

Ao longo da história, o stalinismo usou dos métodos físicos para eliminar seus adversários políticos no terreno da classe trabalhadora, os famosos processos de Moscou e o assassinato de León Trotsky são a face mais visível do que foram esse métodos no século passado. O fascismo foi sem dúvida à corrente mais nefasta da história contemporânea, surgiu com o propósito de exterminar fisicamente a vanguarda revolucionária do proletariado e destruir suas organizações. Mas é o Estado Burguês o principal instrumento de dominação de classe, através do qual a burguesia exerce seu poder através de diferentes regimes, democracia burguesa, bonapartismo ou ditaduras fascistas, os regimes variam conforme a correlação de forças, mas a repressão física sempre é o principal método quando as massas ameaçam o poder da classe dominante. Por isso é tão grave a agressão física entre militantes que reivindicam ser de esquerda. 

O que significa a agressão física entre militantes de esquerda?

Vamos direto ao ponto, esta agressão física de um militante de esquerda significa: a divisão da nossa classe; a divisão daqueles que vão as ruas protestar; o enfraquecimento das lutas; semear a desconfiança entre as organizações que se propõem fazer a revolução socialista dos trabalhadores. No fato em questão vários ativistas e jovens viram a agressão física e os motivos pelo qual ela aconteceu - que educação política eles tiveram ao ver este fato? E se fascistas tivessem se aproveitado da situação para agredir fisicamente a vanguarda de esquerda? Esta conduta está relacionada à degeneração moral da sociedade burguesa contemporânea, e também a degeneração das direções reformistas que controlam e vivem dos aparatos. A conduta foi irresponsável na forma e reacionária no conteúdo. Mesmo assim estamos dispostos a superar esta situação na prática.

No seio da classe trabalhadora existem diversas correntes de pensamento, que refletem a teoria e o programa do reformismo, do centrismo, do anarquismo, do anarco-sindicalismo e do marxismo. A ultra direita também tenta influenciar o movimento de massas com o seu programa, para avançar neste objetivo precisa desmoralizar e derrotar as organizações revolucionárias, mas a ultra direita não vem do seio da nossa classe, é um elemento estranho e alheio ao movimento dos trabalhadores.

A democracia operária, entendida como a democracia ampla da classe trabalhadora em luta, é o principal instrumento pelo qual podemos organizar as tarefas políticas dos trabalhadores. Todos os programas políticos defendidos pelas organizações devem conquistar a classe operária e a juventude através da experiência prática na luta pela derrubada do capitalismo e destruição do seu Estado opressor. Isso é assim por que qualquer revolução é obra das massas rebeldes insatisfeitas com os seus governantes, é quando o programa revolucionário pode se combinar a atividade e necessidade das massas no caminho da tomada do poder, desde que exista uma organização com certa influência de massas.

Sem a democracia operária não é possível a colaboração das organizações de esquerda para organizar a ação revolucionária das massas. A unidade da esquerda está relacionada à necessidade que a classe trabalhadora tem de se unificar para enfrentar a burguesia e seu Estado. Isso não significa ter acordo em tudo, mas sim de respeitar as diferenças e a decisão da maioria. A experiência política e prática dos trabalhadores é quem deve dar o veredicto sobre qual é o programa mais justo.

Por isso, assim como Trotsky opinamos que “Bons são todos os métodos que elevam a consciência de classe dos operários, sua confiança em suas próprias forças, sua disposição à abnegação na luta.” O que aconteceu precisa ser assimilado no seu significado mais profundo, repetimos, nenhuma organização está imune as pressões cotidianas advindas da degeneração da sociedade capitalista, uma expressão contundente do que estamos dizendo é a reprodução do machismo, da homofobia e do racismo nas organizações de esquerda e nos movimentos sociais, consequência do aumento dessas formas de opressão na sociedade contemporânea.

O episódio de agressão física que nos levou a expor algumas de nossas opiniões nesta nota também é mais uma expressão da degeneração moral das organizações de esquerda [neste caso de seu militante] sob o capitalismo. Foram muitos anos sem ascenso, o que fez prevalecer com mais força o conteúdo moral do “vale tudo”, de natureza burguesa e pequeno-burguesa. O stalinismo e a social democracia foram às correntes responsáveis por introduzir os métodos da calúnia, agressão, fraudes nas eleições sindicais, roubo nos sindicatos e até mesmo o uso da opressão como instrumento de disputa política no movimento dos trabalhadores. Nós repudiamos esses métodos, por que eles não contribuem para o fortalecimento da nossa classe na luta contra o capitalismo.

Contra a moral burguesa degenerada, defendemos a moral proletária e revolucionária

O proletariado [trabalhadores assalariados] é a única classe progressiva de nossa época, é a única capaz de unir todos os explorados e oprimidos na luta contra o capitalismo, para levar adiante as tarefas políticas que a classe dominante de nossa época não é capaz de atender. A moral dos trabalhadores em luta em uma greve ou mobilização política é muito superior a moral burguesa.Para enfrentar os patrões e os governos os trabalhadores precisam unir-se em base a mais ampla solidariedade de classe e espírito combativo, esta moral é coletiva e não individual, na luta de classes tudo o que é individual ou subordina-se ao coletivo ou será repudiado e excluído pela maioria dos trabalhadores.

A moral revolucionária parte da moral proletária, da necessidade da união coletiva, onde acertos e erros são assimilados em base a democracia operária, mas se eleva acima dela, por que está relacionada à construção de organizações [para nós partidos revolucionários do tipo bolchevique] que tem por objetivo fazer a revolução socialista que derrubará o capitalismo e destruirá o Estado Burguês, abrindo caminho para a construção de uma sociedade sem classes em todo o mundo. Estas organizações precisam ser forjadas em base a mais elevada confiança mútua entre seus membros, que estão organizados em base a um programa revolucionário. Essa é moral da revolução socialista internacional, sem a qual é impossível organizar a vanguarda que trabalhará e se sacrificará conscientemente pela tomada do poder. 

Unidade dos lutadores de esquerda para enfrentar o verdadeiro inimigo. 

Desde as jornadas de junho ficou claro como água o descaso dos governos e a polarização social do país, as grandes manifestações desnudaram quem está a favor das massas e quem está contra elas. Sem igualar o papel de cada um, nossos inimigos são os governos, o Estado Burguês, o imperialismo, o fascismo, a burguesia, as burocracias e o reformismo.

Nos manteremos nas ruas e dispostos a colaborar com as demais organizações de esquerda nas próximas lutas. Temos enormes desafios neste ano, à unidade de ação não significa que teremos acordo em tudo, defenderemos a política que acreditamos ser melhor para fazer avançar a correlação de forças a favor da nossa classe, defenderemos a democracia operária nas lutas. Nenhuma agressão física deve ocorrer entre os lutadores, nossa violência de classe terá endereço e hora, quando as massas tiverem dispostas a enfrentar o Estado burguês, os agentes reformistas e os governos. Lutemos contra o capitalismo, seus governos, seus agentes e seu Estado opressor. Nossas armas serão o convencimento político, a análise da realidade, a unidade na ação política, a fraternidade, a franqueza, a honestidade, a solidariedade de classe e a moral da classe trabalhadora em luta. Esforcemo-nos em superar este episódio.


domingo, 5 de janeiro de 2014

PSTU lança pré-candidatura de Rodrigo Tomazini ao Governo do Estado do Paraná

Um pré-candidato pela construção da Frente de Esquerda Socialista no Estado.

Direção Estadual do PSTU do Paraná

As eleições de 2014 acontecerão em uma nova situação política e colocam um enorme desafio para esquerda brasileira. As jornadas de junho e as greves de julho e agosto mostraram que os governos de todas as esferas não estão do lado do povo. Pela primeira vez depois do Movimento pelas “Diretas já!” e o “Fora Collor” os trabalhadores e a juventude de nosso país colocaram-se na ofensiva emparedando os patrões e seus representantes no parlamento.

A juventude e os trabalhadores sairam as ruas para lutar contra a corrupção e a péssima qualidade nos serviços públicos, e em meio a diversas reivindicações, levantaram palavras de ordem que demonstraram um enorme desejo de mudança. Mas as mudanças de fundo não vão ocorrer com os governos que aí estão e isso é assim por que eles governam para os capitalistas. A vitória que tivemos contra o aumento das passagens demonstrou que o caminho é a luta, ao mesmo tempo, ficou claro que os governos não estão dispostos a atender as reivindicações das ruas, pressionados pelas mobilizações foram obrigados a fazer algumas concessões.

Apesar das conquistas importantes obtidas (retirada do Projeto “Cura Gay”, derrubada da PEC 37, redução das tarifas de ônibus), as mudanças estruturais reivindicadas pela juventude em Junho não saíram do papel. O Passe Livre Estudantil Nacional chegou a ser debatido no Senado mas atualmente pouco ou nada se fala. As privatizações no setor de infraestrutura do país continuaram e pouco se fez para por fim a corrupção. Ao mesmo tempo, o Orçamento Federal para 2014 mantém o repasse de quase metade de nossa riqueza para a agiotagem internacional, restando pouco mais de 3% para a saúde e 4% para a educação, sinalizando para quem se governa de fato neste país.

Por isso, seguirá o caos na saúde e educação pública, como também no transporte coletivo. Dezenas de prefeituras já ensaiam aumento das tarifas para o começo do ano. Seguem as privatizações do Petróleo e o aumento da gasolina foi um presente de fim de ano de mau gosto de Dilma (PT) para os trabalhadores, política aplicada para atender a sede de lucros dos acionistas da PETROBRAS. O salário segue não chegando até o fim do mês e o acesso ao consumo se realiza com doses cada vez mais cavalares de endividamento pessoal.

O espaço eleitoral burguês, mais do que nunca, precisa ser utilizado para chamar a juventude e os trabalhadores paranaenses a retornarem às ruas para que suas reivindicações sejam atendidas! Precisa ser usado no sentido de contribuir para fortalecer a confiança de nossa classe em suas próprias forças. 

Quem é Rodrigo Tomazini?

Rodrigo Tomazini foi candidato a deputado estadual pelo PSTU em 2010 e sempre esteve na luta da classe trabalhadora. Iniciou sua militância no movimento estudantil, ocasião em que participou ativamente das mobilizações contra as privatizações dos governos de Jaime Lerner (na época do PFL) e Fernando Henrique (PSDB). Esteve nas mobilizações contra a privatização do Banestado, Copel e da educação superior. Ocupou papel de destaque como liderança da luta que impediu que todo o lixo de Maringá e Região fosse destinado para Sarandi, em seguida participou ativamente das manifestações que levaram a cassação do ex-prefeito desta cidade, Milton Martini (PP). Foi preso e perseguido por estar ao lado dos trabalhadores. Por trabalhar no setor da educação, a luta pela educação pública, gratuita e de qualidade é  parte da sua atuação política.


Por uma Frente de Esquerda Socialista no Paraná e um programa que reflita as jornadas de junho e as greves de 2013

Sabemos o limite das eleições e por isso somos um partido revolucionário que defende a revolução socialista. Mas também sabemos o quanto é importante apresentar uma alternativa socialista nas eleições em 2014, que se proponha governar com e para os trabalhadores.

Para nós, tanto Beto Richa (PSDB) quanto Gleisi Hoffmann (PT) e Requião (PMDB), defendem uma política econômica que beneficia os grandes empresários e o agronegócio, através das privatizações, isenções de impostos, arrocho de salários e sucateamento dos serviços públicos. Se por um lado Dilma, ao lado de Gleici Hoffmann, vem privatizando o petróleo, estradas, aeroportos e hospitais universitários, Beto Richa quer votar um projeto de lei que privatiza quase todo o serviço público estadual através das fundações estatais de direito privado. 

Gleisi Hoffmann, é até então, a principal responsável no governo federal pelos planos de privatização da infraestrutura do país, é defensora da EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares que significa a privatização dos Hospitais Universitários) e também a fiel escudeira dos latifundiários, grileiros de terras e multinacionais ligadas ao agronegócio contra a população indígena.
Neste cenário precisamos apresentar uma alternativa socialista. É em apoio as lutas e mobilizações dos trabalhadores e da juventude que o PSTU lança a pré candidatura de Rodrigo Tomazini ao Governo do Estado.

Para se contrapor as alternativas burguesas em âmbito nacional lançamos o operário metalúrgico José Maria de Almeida como pré-candidato à Presidência da República. Mas também no Paraná, é preciso a conformação de uma Frente que envolva o PSTU, PSOL e PCB, que busque apoio nos  movimentos sociais e lutadores que foram às ruas no ano passado. Tal Frente deve apresentar um programa classista e anticapitalista; que combata a exploração; o machismo, racismo e a homofobia; que reflita a pauta das jornadas de junho e greves do segundo semestre de 2013; que seja financiada pelos trabalhadores e a juventude para poder ter independência programática.

É tarefa da esquerda lutar contra os governos e parlamentares que não representam a nossa classe. E somente um programa operário e socialista pode dar conta desta tarefa. Para poder expressar as necessidades da classe trabalhadora, dos setores oprimidos, em oposição aos interesses da burguesia.

CONTATOS: 
(44) 9963-5770 Maringá e Noroeste do Estado
(45) 9951-2672 Cascavel e Oeste do Estado
(41) 9600-2745 Curitiba e Região Metropolitana